Entrevista 19Dez

À Conversa com Cristina Araújo // Cris, põe a mesa


Cristina é Arquitecta e é natural da Madeira. Mudou a sua alimentação devido à sua predisposição em ter valores elevados de colesterol e hoje é adepta de uma alimentação saudável e biológica. A sua página de Facebook desenvolveu-se como um diário digital de receitas e dicas para inspirar os seus mais de 14 mil seguidores. O Clube Fitness esteve à conversa com Cris, põe a mesa.
 
A sua infância está ligada ao campo, o que proporcionou o contato direto com os produtos mais frescos. Segundo Cris, “os alimentos biológicos têm mais cheiro, cores, texturas e sabores, carregam mais vitaminas e minerais essenciais ao corpo”. Hoje, sente-se com mais energia, vitalidade, menos fome compulsiva e “emocional”.

À Conversa com Cris, põe a mesa

 
Cristina podes falar-nos um bocadinho sobre ti? Quem és e o que motivou a criação da página de Facebook “Cris, põe a mesa”?
Sou a Cristina Araújo, 26 anos, Arquitecta recém-formada no Porto, mas sou natural da Madeira. Há cerca de 5/6 anos, os meus e eu resolvemos mudar a alimentação por vários motivos de saúde. A minha página nasceu em Dezembro de 2014 por meio de incentivos e pesquisas, uma vez que iniciei experiências culinárias distintas do que fazia anteriormente. Nasceu e desenvolveu-se como um “diário digital” de receitas, dicas e mesinhas tanto para me organizar como para inspirar os demais seguidores.


 
Como era a tua alimentação na infância e adolescência? 
Sempre foi muito diversificada, com muitas hortaliças e fruta em casa, mas era fora desta que aconteciam os maiores “erros”. Todos temos aquele tio fixe que sempre que nos vê oferece um chocolate; aquela avó que nos faz comer tudo antes de sair da mesa; aquelas primas generosas que partilham as suas guloseimas e amigos que nos desencaminham da comida da cantina. E foi aí que faltou saber dizer “Não, obrigado”. Mas ainda assim e graças à minha família, sempre me aventurei a provar coisas novas.
 
Sabemos que a tua infância está ligada ao campo, o que te proporcionou o contacto direto com produtos mais frescos. Quais as diferenças que notas nesses alimentos?
Toda a diferença, a começar pelo cheiro, cores, texturas e sabores. Mais tarde foi altura de perceber que além do está à vista, produtos biológicos carregam mais vitaminas e minerais essenciais ao corpo. Passei pela fase de comparação entre feiras, lojas locais, e grandes áreas comerciais. Mesmo aí é possível notar as diferenças. Hoje escolho o melhor para mim, e não poderia ser de outra forma.


 
Na página “Cris, põe a mesa”, partilhas receitas e dicas saudáveis. O que te levou a adotar uma alimentação saudável?
Seja genético ou nem tanto, eu e os meus pais temos predisposição a ter valores elevados de colesterol, má circulação, lapsos de hidratação, etc. Tentávamos diferentes abordagens mas nada com resultados a longo prazo. A certa altura conhecemos um médico naturalista Açoriano que, com as dicas certas, despertou em nós a vontade de conhecer melhor o nosso corpo e mente assim como que tipo de “combustível” estávamos a dar à nossa “máquina”.

Depois de adotares uma alimentação saudável, sentiste diferenças na tua saúde e bem-estar?
Sem dúvida! Nunca tive resultados de análises tão positivos. Sinto-me com mais energia, vitalidade, menos fome compulsiva e “emocional”. Foi e continua a ser uma mudança para toda a vida.


 
Na tua alimentação tens alimentos ‘proibidos’?
Não sou fanática de todo e cometo certos “pecados” esporádicos, mas há produtos que não entram mais no meu armário: óleos refinados, açúcar branco, farinhas e massas brancas, enchidos, fiambres, cereais de pequeno-almoço, produtos altamente processados, etc. Ainda assim, ninguém está livre de consumir algo que baniu de casa seja em restaurantes, casas de amigos ou familiares. Podemos sempre recusar educadamente, ou aceitar conscientemente e depois recompensar o corpo com equilíbrio.

Pela tua página, fica bem claro que gostas de preparar as tuas refeições… O que mais gostas de preparar? Alguma receita em especial? 
Tento preparar todas as refeições mesmo que o tempo seja curto, pois na verdade estou a receber muito mais em troca: poupança, tempo, saúde. Nunca me canso de preparar sobremesas, principalmente bolos húmidos e praticamente sem culpa.



Quais são os ingredientes indispensáveis na tua cozinha?
Ovos, canela, chocolate preto, óleo de coco, frutos secos, fruta fresca… Quando não há o que mais gosto, é a lei do improviso que reina!
 
Para além de todos os cuidados com a alimentação, praticas exercício físico com regularidade? Quais as tuas modalidades favoritas?
Sim, mais do que um prazer o exercício é para mim um medicamento, uma terapia que o meu corpo pede e a minha mente necessita. Faz todo o sentido casar estas duas escolhas: alimentação saudável e exercício, uma vez que é uma combinação fundamental para chegarmos a resultados concretos e duradouros. Neste momento frequento o ginásio onde pratico aulas funcionais (circuito), cardio (cycling) e planos de exercício de força/reforço muscular.


 
Sabemos que praticaste ténis de mesa durante 7 anos. Como foi essa experiência? O que podes dizer sobre esta modalidade?
Parte do que sou hoje deve-se também aos anos em que me senti em família na minha equipa de ténis-de-mesa. Além de ter sido um meio de me integrar no mundo do desporto, fiz amizades e testei os meus próprios limites, medos e capacidades. Ao contrário do que muitos julgam saber, o ténis-de-mesa é uma modalidade extremamente complexa. Envolve cada músculo do corpo, cada equilíbrio, cada sopro… Desenvolve em nós uma capacidade de reação fantástica, de reflexos e improvisos. Obriga-nos a pensar no passo seguinte, a analisar hipóteses e planos tudo à “velocidade da luz”. Tenho esses 7 maravilhosos anos bem guardados no coração e conto assim que possível rever os meus antigos colegas.

Que conselhos darias às leitoras para conseguirem integrar na sua rotina um estilo de vida saudável?
Primeiro, toda a mudança começa na nossa cabeça. Só conseguirão seguir um estilo de vida saudável se acreditarem que conseguem, se perceberem o porquê e descodificarem o que o vosso corpo pede. Cada caso é especial, o que é bom para mim não é necessariamente óptimo para si, mas nada como tentar e ouvir os resultados de dentro para fora.
Colocar tudo em causa e não permanecer apenas com uma opinião sobre algo, há que pensar e ter bom senso, questionar e pesquisar. Nem todos os profissionais de saúde são senhores da verdade, assim como a internet não é uma bíblia sagrada 100% fiel.
Ler rótulos, ingredientes e informações é crucial; comprar comida de verdade; descascar mais do que desembalar; escolher o mais puro possível; beber e variar na água, chás e infusões; e em caso de dúvida perguntar a si mesmo: “Isto é comida a sério? A minha avó saberia explicar estes ingredientes?”.
Quanto ao exercício, comecem por algo que têm alguma empatia como andar, dançar, pescar, nadar, desportos radiais ou ao ar livre, ou seja, atividades que o façam feliz sem pressão. Mas por favor, mexam-se! O corpo estagna se não for estimulado devidamente. Quanto mais farão, mais irão querer fazer!
Mas como não somos apenas corpo físico, a cola que une todos estes estados vem de dentro, de um subconsciente poderoso que comanda aquilo que somos – a parte emocional. Se não estamos bem connosco, se não descansamos ou dormimos bem, se não respiramos devidamente, se não nutrimos sentimentos positivos, tudo o resto é posto em causa. Ying e yang, luz e escuridão, o bem e o mal, tudo tem o seu lugar no Universo com peso e medida, equilíbrio sempre! “Façam o favor de serem felizes.”


 



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