Entrevista 01Ago

À conversa com Cátia Gandra // Keep it Simple, Keep it Paleo

Cátia Gandra tem 34 anos e é mulher, mãe e médica de família. Recentemente, descobriu o estilo de vida Paleo e adotou-o para o seu dia a dia e de toda a família. Cátia acredita na eficácia deste estilo de vida, não só a nível da promoção da saúde, como também da prevenção de doenças e até no seu tratamento.

Em 2015, criou a página de Facebook e logo depois o blogue Keep it Simple Keep it Paleo. O objetivo é partilhar com os seus seguidores receitas, dicas, um estilo de vida. Partilha aspetos do seu dia a dia para que todos possam perceber que é tudo "uma questão de boa vontade e organização (e paixão por isto mesmo, é o que é)".

O Clube Fitness esteve à conversa com Cátia Gandra, a autora do blogue Keep it Simple, Keep it Paleo.

Vamos começar por esclarecer um conceito. No Facebook do blogue dizes “porque PALEO não é só comida, PALEO é estilo de vida!...” O que isso significa? Troca isso em miúdos!
Sim, a alimentação é muito importante, mas não é tudo. Se o nosso corpo estiver exposto a um “stress” constante, a inatividade física, a uma inadequada exposição solar, a um ritmo circadiano inadequado, a poluentes, e a uma microbiota alterada, as nossas células também não estarão a ser “bem tratadas” e, mais cedo ou mais tarde, vão dar uma resposta. Hoje em dia, há muita gente a seguir a “dieta paleolítica” para perder peso. Não é esse o meu propósito quando dou a conhecer a paleo, de todo. Claro que quando há um excesso de peso, pode haver muitos motivos na sua origem, que poderão ser “corrigidos” com este estilo de vida e, consequentemente, a perda de peso ser observada. Mas nunca será emagrecer por emagrecer.
 
Quando conheceste o estilo de vida Paleo? E o que te chamou mais a atenção?
No decorrer da minha gravidez apercebi-me que tinha alterações ao nível da tiroide (2012). Entretanto o meu bebé nasceu, amamentei durante 17 meses, e, confesso, durante todo este tempo “nunca mais pensei no assunto”. Quando ele decidiu parar de mamar e eu “acordei para mim mesma” (e ponho entre aspas porque durante a gravidez e a amamentação só vivi para ele, sem pensar em mim como mulher e como pessoa – não acho que tenha sido o correto, mas também não me arrependo =)! ), decidi ler, pesquisar, e, coincidência ou não!, também me foram aparecendo no Facebook sites e blogs que falavam sobre a paleo. Dentro do que li, parecia fazer sentido. Se resistimos milhões de anos à seleção natural apenas com o que a natureza nos dava, para quê inventar tanto, como o homem hoje está a inventar? Para quê tantos artifícios?  
 
Porque decidiste aderir a esse estilo de vida?
Na sequência do que escrevi anteriormente: fez todo o sentido o que li. Eu queria cuidar de mim como um todo e "agora" era também responsável por um pequeno ser: estava na altura de lhe incutir hábitos para a vida. Queria perceber porque é que a tiroide estava como estava e não apenas tratá-la com fármacos. Acabei por me deparar também com a medicina funcional, a ver cada pessoa como ser único que é, com a vida que tem, exposta a tantos e tão variados fatores, que acabam por interferir em tudo. Fez todo o sentido, tentei adotar, e tento aprimorar a cada dia que passa.


 
Quando decidiste criar o blogue Keep it Simple, Keep it Paleo? E porquê?
Decidi criar a página do Facebook em julho de 2015, para mostrar exemplos de como se pode viver tão bem assim. Geralmente as pessoas assustam-se quando ouvem falar pela primeira vez deste estilo de vida. Primeiro, porque se focam só na alimentação. Segundo, porque "mas eu adoro pão! como é possível seres feliz sem pão?", "e o que é que vou comer ao pequeno almoço?". Assim achei que seria mais fácil mostrar aspectos da minha vida, principalmente as refeições, para que pudesse elucidar quem tem mais dúvidas. O blogue nasceu depois, para facilitar, para que as receitas ficassem registadas. Assim, em vez de estar sempre a repetir como faço isto e aquilo, posso colocar o link, e as pessoas vão lá diretamente.
 
No blogue, apresentas-te como “mulher, mãe e médica de família”. Com a vida atarefada – que provavelmente – tens, como consegues ter uma alimentação saudável e seguir esse estilo de vida?
Tenho vida atarefada, sim. Quem não tem? Optei por manter o meu filho em casa até aos 3 anos e meio, logo, incluo-o no meu dia sempre que posso. Relativamente aos treinos, opto sempre por fazer de manhã, quando tenho quem me fique com ele. Relativamente à alimentação, há dicas simples que fazem toda a diferença: programar a semana (saber quantas refeições vou fazer e o que preciso para cada uma delas), nunca cozinhar só para uma refeição (ficam já feitas refeições para outro dia), deixar tudo pronto à noite para agilizar os pequenos-almoços (geralmente é quando é necessário ter tudo pronto mais rapidamente), quando saio às 20h do trabalho já deixo o jantar pronto de manhã... Enfim! Nada que não se consiga!
 
Tens alimentos proibidos? Quais?
Não, não tenho alimentos proibidos. Vivo assim porque quero, não tenho que dar justificações a ninguém. Sei que o melhor para a minha condição é evitar certos alimentos. Mas quando me apetece muito, como, porque também tenho perfeita noção que é exceção.
 
Qual é o teu prato preferido?
Ui! Não consigo dizer! Adoro um bom peixe, adoro uma boa carne, adoro ovos! Tudo o que é verde, crú, cozido, assado ou salteado também me consola. Basicamente, costumo dizer que não é preciso muito para me agradar!
 
O que mais gostas de cozinhar? Porquê?
Eu gosto de cozinhar. Ponto. Quem me conhece, sabe que a cozinha é a minha terapeuta. Cozinho todos os dias, várias vezes por dia. E faço-o com amor. Mesmo. O quê? Não interessa!


 
Toda a tua família segue esse estilo de vida? Todos gostam?
Quando comecei, só incluí o meu filho. O meu marido dizia que eu estava obcecada com a ideia... Mas sou eu que faço as compras de alimentação de casa, logo, ele só comia o que eu fazia e eu não cozinhava nada que não comesse. Ou seja, em casa comia o que eu fazia. Fora de casa, comia o que lhe apetecesse. No entanto, não demorou muito a ler sobre o assunto e a pedir-me ajuda, nomeadamente com as marmitas. Hoje em dia, deixou de precisar de medicação para a hipertensão arterial e tem as tensões controladas. Raramente necessita de medicação para a asma (além do peso que perdeu). Abre excepções ao fim-de-semana (algumas), mas as alergias notam-se logo a seguir. O meu filho, como ainda não vai à escola, come o que eu como (depois não sei como será).
 
O teu filho gosta das tuas receitas? Qual a receita preferida?
O meu pequeno adora um bom frango e um bom peixe também. Então acompanhado com batata doce e brócolos, fica perfeito! Mas doido, doido, é pela manteiga de frutos secos que eu faço.
 
És médica de família. Aconselhas os teus utentes a seguir este estilo de vida?
Aconselho, claro. Ter bons hábitos de sono, atividade física, controlar factores de stress, entre outros, só pode dar bons resultados. A nível da alimentação, o mais importante mesmo é que percebam que devem ficar longe dos processados.
 
Que conselhos costumas “receitar” aos teus pacientes relativamente à alimentação?
Que devem comer o que a natureza nos dá. Que devem olhar para os rótulos e perceber de quantas coisas é feito o alimento em questão (o ideal é ter só um ingrediente). No entanto, e mais importante que tudo!, cada pessoa é uma pessoa e aqui o conceito one size fits all não se pode aplicar. De qualquer forma, os resultados vão surgindo e os utentes agradecem.
 
Sabemos que praticas crossfit. O que mais gostas nesta modalidade?
O crossfit foi-me apresentado na mesma altura que surgiu a paleo. O que mais gosto? Nunca há um treino igual, estamos ali todos para o mesmo e, ao mesmo tempo, para nos apoiarmos uns aos outros. E depois há sempre algum objetivo para ser alcançado. Há sempre exercícios que podem ser aperfeiçoados. Então para mim, que ainda não consigo fazer tanta coisa... E quando finalmente consigo atingir alguma meta? É uma festa! E vivida em conjunto! Não dá para explicar!


 
Quantas vezes por semana praticas crossfit?
Faço 3 wods por semana e 1 aula de técnica.
 
Preferes treinar de manhã ou ao final da tarde? Porquê?
Treino sempre de manhã. Se o comecei a fazer porque não tinha outra hipótese, hoje também sei que é o mais fisiológico, o que melhor se adapta a mim.
 
Encontras sempre tempo para treinar? Como?
Claro! Há dias que saio de casa com eles a dormir, e vou trabalhar a seguir. Nos outros dias, deixo o meu filho em casa com a babysitter. Ao fim-de-semana, roubo duas horas (sábado ou domingo de manhã) e o meu marido fica com ele, enquanto eu vou.
 
Como conseguias convencer outras mulheres de que mesmo com uma vida ativa e ocupada é possível ter uma vida saudável e equilibrada?
Posso sempre dar-me (e dou-me) como exemplo. Tenho 34 anos mas sinto-me melhor que nunca. Sinto que desempenho cada um dos papéis a que me proponho da melhor forma. Dou tudo de mim, conforme posso. A chave é a organização. Sem organização, nada feito. Sei que para me poder dar aos outros, tenho que me dar a mim mesma primeiro. Sei que sou feita do meu dia-a-dia e de tudo o que o faz. Não vale de nada viver a correr, sem sentir realmente o que acontece (sobreviver). Vamos la tentar andar neste mundo muitos anos, mas com a melhor qualidade possível!


 



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